A Obra do Rei D. Manuel I: Arquitetura e Arte no Sul de Portugal

tryart

Com o Historiador Anisio Franco | Conservador Museu Nacional Arte Antiga

Foi no reinado de D. Manuel I, que se estendeu por 25 anos, que se realizaram as mais importantes viagens que consolidaram as grandes navegações portuguesas iniciadas no começo do século XV.  Com o desejo de desenvolver a cultura em Portugal, e dado que admirava as artes e a música e era bastante religioso, D. Manuel I investiu boa parte da riqueza obtida pelo comércio para construir edifícios reais e assim nasceu em Portugal o estilo Manuelino, que se ostentou nos mais variados géneros de construção civil, militar e religiosos.

Preço por Pessoa em Quarto Duplo

(Nº mínimo de 20 participantes)

600 €

Suplemento Ocupação Individual

100 €

 

Programa inclui:

  • Acompanhamento por Tryvel durante toda a viagem e pelo Historiador e Conferencista Anisio Franco;
  • Circuito em Autocarro de turismo;
  • 2 noites de alojamento no Hotel Mar d’Ar Aqueduto 5***** ou similar;
  • 5 Refeições durante todo o circuito ( 3 almoços + 2 jantares ) incluído bebidas às refeições;
  • Todas as visitas mencionadas no programa;
  • Audioguias;
  • Taxas Hoteleiras, de serviço e IVA;
  • Seguro de assistência em viagem;
  • Kit de viagem Covid 19;

 

Programa não inclui:

  • Gratificações (bagageiros, restaurantes, motorista e guia);
  • Bebidas fora das refeições;
  • Tudo o que não esteja mencionado como incluído de forma expressa;
  • Despesas de carácter particular designados como extras;

 

INFORMAÇÕES | RESERVAS

PB – Telf. 215 927 076 | info@nulltryvel.pt

1º Dia - Lisboa / Évora Monte / Elvas / Olivença (Espanha) / Évora

07h45 Comparência do grupo no sector inferior do Parque Eduardo VII junto à rotunda do marquês de Pombal.

08h00 Saída em direção de Évora Monte. Chegada e visita do seu Castelo; O castelo, em alvenaria de pedra e cantaria de granito, apresenta planta quadrangular, com torreões circulares nos vértices, misturando elementos do estilo gótico com o estilo renascentista de inspiração italiana. Internamente divide-se em três pavimentos, com tetos em abóboda, assentes em pilares de cantaria. Nos torreões mais largos na base do que no topo, rasgam-se viseiras. Os panos são ornados com nós esculpidos em pedra, típicos do estilo manuelino.

Findo a visita continuação para Elvas, breve passeio pelo seu centro Histórico com destaque para visita da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, Sé Catedral da cidade. A construção da então igreja de Nossa Senhora da Praça foi principiada em 1517 segundo o traço do arquiteto régio Francisco de Arruda que trabalhava ao mesmo tempo no Aqueduto da Amoreira. Possui um carácter fortificado, com uma torre como fachada. Em 1570 com a criação do bispado de Elvas pelo Papa Pio V, a igreja de Nossa Senhora da Praça transformou-se na Sé de Elvas, título que viria a perder em 1881. Em termos artísticos, a Sé de Elvas é um templo originalmente manuelino, mas que perdeu esta traça durante os séculos após alterações mandadas fazer nele pelos bispos da cidade. São de salientar no exterior o seu portal neoclássico e os portais laterais manuelinos, enquanto no interior poderemos apreciar uma decoração feita com motivos fito, zoo e antropomórficos, próximos do imaginário medieval. Em redor de todo o corpo da igreja corre um silhar de azulejo policromo de laçaria e rosas. A capela-mor, em mármore de várias cores, é de estilo barroco. Destaca-se ainda o soberbo órgão situado no coro-alto.

 Almoço em restaurante, após o qual seguiremos rumo a Espanha com destino a Olivença, cuja demarcação é objeto de litigio entre Portugal e Espanha, para visita da Igreja de Santa Maria Madalena mandada construir por D. Manuel I no século XVI.  A Igreja é um exemplo da beleza e esplendor do estilo Manuelino. A porta principal foi acrescentada posteriormente, durante o período do renascimento. O interior apresenta umas surpreendentes colunas retorcidas, como cordame de um barco, bem como retábulos de talha dourada do século XVIII, retábulos neoclássicos em mármore de cores e azulejaria historiada. Em 2012, este monumento venceu a competição que elege os melhores e mais pitorescos recantos espanhóis,” O Melhor recanto de Espanha “.

Regresso a Portugal. Alojamento e jantar no Hotel Mar d’Ar Aqueduto 5* em Évora.

2º Dia - Évora

Pequeno almoço no Hotel e dia inteiramente dedicado a exploração a pé dos principais pontos de interesse desta emblemática cidade histórica de Portugal, Évora. Destaque para a sua famosa Praça Giraldo, onde será visita a Catedral de Évora igualmente conhecida por Sé de Évora e cujo nome verdadeiro é Basílica da Nossa Senhora da Assunção, a maior Catedral Medieval do pais sem paralelo igual. A Sé de Évora “protege” a cidade desde a parte mais alta, também o lugar escolhido para outros edifícios icónicos de Évora como o Templo Romano de Évora ( O Templo de Diana ) e o Museu de Évora. A sua construção da Sé foi iniciada em 1186, consagrada em 1204, e foi concluída apenas em 1250. Toda em granito, é marcada pela transição do estilo românico para o estilo gótico. Foi melhorada durante os séculos XV e XVI, sendo dessa época o coro-alto, o púlpito, o batistério e o arco da Capela de Nossa Senhora da Piedade ou capela do Esporão (1529), um testemunho invulgar de arquitetura híbrida plateresca. No século XVIII, a Catedral tornou-se mais rica com a construção da capela-mor, apadrinhada por D. João V. Aqui, os mármores provenientes de Estremoz assumem particular importância na surpreendente conjugação com a rigidez das linhas romano-góticas. Podem também contemplar-se naquela capela um lindíssimo Crucifixo, chamado Pai dos Cristos, que se encontra por cima da pintura de Nossa Senhora da Assunção; estátuas alegóricas dos bustos de São Pedro e São Paulo; e um espetacular órgão de tubos do período renascentista.

Existem duas torres do período medieval de cada um dos lados da fachada da Sé de Évora. A torre do lado sul é a torre sineira, aquela cujos sinos mandam no tempo da cidade. De cada um dos lados do seu portal existem espetaculares esculturas de Apóstolos, do século XIV, da autoria de Mestre Pêro. No exterior da Catedral de Évora, no entanto, o zimbório é o elemento arquitetónico mais espetacular. A torre-lanterna do cruzeiro das naves, do reinado de D. Dinis, coroado por uma agulha de escamas de pedra é de facto o ex-libris deste monumento. A imponência da Sé de Évora pode ver-se também nas três grandes naves no seu interior. O claustro da Catedral de Évora, belo testemunho gótico, é engrandecido pela capela funerária do seu fundador, o Bispo D. Pedro. O coro é do período manuelino; tem um valioso cadeiral quinhentista de madeira de carvalho, com desenhos flamengos esculpidos, retratando cenas mitológicas, naturalistas e rurais.

De seguida, visita da Igreja de S. Francisco e a Capela dos Ossos; os primeiros franciscanos terão chegado a Évora em 1224, vindos da Galiza. Do primitivo convento apenas restam vestígios da igreja gótica e uma parte do claustro, edificado em 1376. O interesse dos reis em instalar o Paço em Évora, numa parte do convento, trouxe como contrapartida a reedificação de uma nova igreja sobre a antiga, de modo a conferir-lhe a dignidade e beleza consentâneas com o palácio real. Começadas as obras com D. Afonso V, tiveram especial desenvolvimento com D. João II, até alcançarem com D. Manuel a magnificência arquitetónica e artística. Conhecido no século XVI como o Convento de Ouro, foi difícil manter tais prerrogativas com o abandono do Paço até que Filipe II acabou por entregá-lo aos religiosos. A partir de meados do século XVII a Ordem Terceira da Penitência de São Francisco veio trazer à igreja um forte cunho devocional e artístico pela contratação de consagrados mestres na instalação e decoração da sua Capela e da Casa do Despacho. A extinção das ordens religiosas em 1834 ditou o rápido declínio do edifício conventual.

Mantiveram-se a igreja e a Capela dos Ossos, devido em parte à Ordem Terceira, à intensa devoção popular ao Senhor dos Passos e à passagem da sede da paróquia de São Pedro para a igreja. Em 1892-95 grande parte do arruinado convento foi vendida em hasta pública ao benemérito eborense Francisco Barahona, que mandou construir as habitações ainda hoje existentes e colaborou generosamente no restauro da igreja e da Capela dos Ossos As extensas obras de reabilitação de 2014-2015 devolveram à igreja toda a sua dignidade funcional e patrimonial.

A Capela dos Ossos foi construída no século XVII, seguindo um modelo então em voga, com a intenção de provocar pela imagem a reflexão sobre a transitoriedade da vida humana e o consequente compromisso de uma permanente vivência cristã. Tanto as paredes como os pilares estão revestidos de alguns milhares de ossos e crânios, provenientes dos espaços de enterramento ligados ao convento. Os frescos que decoram o teto abobadado, datados de 1810, apresentam uma variedade de símbolos ilustrados por passagens bíblicas e outros com os instrumentos da Paixão de Cristo. À saída da capela, na parede fronteira, um painel azulejar, da autoria do arquiteto Siza Vieira, contrapõe à alusão da morte o milagre da vida.

De seguida visita da Igreja da Graça, ou Convento de Nossa Senhora da Graça, o primeiro monumento de arquitetura renascentista da cidade de Évora. As obras do Convento de Nossa Senhora da Graça tiveram início no ano de 1524. No entanto, sabe-se que em 1511 já existia neste local um convento pertencente à Ordem dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho. Este novo edifício daria, mais tarde, abrigo àquela comunidade de frades. Os seus mecenas foram D. João III e o Bispo D. Afonso de Portugal, seu primo. O aspeto exterior é bastante interessante e original no que diz respeito à arquitetura portuguesa de então. O desenho ousado do claustro, a fachada e os relevos da capela-mor causaram grande impacto na época. A Igreja da Graça é de granito local e os seus clássicos volumes arquitetónicos deixam perceber todos os elementos renascentistas. Tem uma planta longitudinal e irregular e no seu interior existe uma nave única, de quatro tramos. Destacam-se, na zona do altar-mor, as janelas em mármore de Estremoz. A admirável fachada quinhentista da Igreja da Graça é dominada pelas linhas do templo agostiniano.  Esta fachada de influência italiana, construída na época de D. João III, é constituída por dois registos e pano único. No registo inferior apresenta nártex com quatro colunas toscanas, suportando uma arquitrave, friso e cornija. Dos lados, mais duas colunas a suportar arquitrave idêntica. O registo superior apresenta um frontão triangular que assenta em pilastras na continuação das inferiores e ao centro um janelão enquadrado por duas colunas jónicas adossadas. O frontão apresenta óculo, com dois anjos nas vertentes e cruz de pedra sobre uma base retangular no vértice. Dos lados, podem ver-se quatro grandes figuras de granito, sentadas, segurando lanças de ferro: os atlantes. Estão apoiadas em quatro globos de fogo que representam “as quatro partes do mundo”, por onde os Portugueses passaram. Os atlantes destacam-se. Vai, de certeza, reparar neles. É a essas figuras que os eborenses chamam “Os Meninos da Graça”. Aliás, se quiser perguntar direções para o edifício pergunte pela “Igreja dos Meninos da Graça”. As quatro esculturas, atribuídas por alguns a Nicolau de Chanterene, representam, de acordo com a tradição, os primeiros mártires da Inquisição em Évora. O campanário da Igreja da Graça sobressai em toda a fachada conventual. Apresenta três olhais redondos e é rematado por um frontão triangular e ladeado por pedestais que no seu cimo têm esferas. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o Convento da Graça foi transformado em quartel. Começou então a decair e, consequentemente, a perder parte significativa de seu espólio artístico. Vários altares, imagens e sinos da igreja acabaram mesmo por ser transferidos para a Igreja de São Francisco.  Presentemente, a Igreja da Graça serve de Messe de Oficiais da guarnição de Évora, sendo a Igreja a Capelania da Região Militar Sul.

Almoço em Restaurante. Durante a tarde visita do Museu de Évora (Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo) e um dos mais importantes da cidade. Criado em 1915, começou por ter exposição de peças do diretor da Biblioteca Pública, Dr. Augusto Filipe Simões, que durante a década de 1870 foi recolhendo peças romanas, visigóticas e árabes que faziam parte do Palácio D. manuel, do templo Romano e da Praça do Giraldo. As coleções existentes foram reunidas ao longo do tempo e mais tarde divididas por diversas secções para serem expostas ao público. As peças mais importante do Museu de Évora são um conjunto de 13 painéis que representam a Vida da Virgem e 6 painéis mais pequenos da Paixão de Cristo pintados em meados do século XV por desconhecidos da escola de Bruges. No entanto, no interior do museu, existem mais pinturas de outros conhecidos artistas: Francisco Henriques, Garcia Fernandes, Mestre do Sardoal, Theniers, Avercamp, Avelar Rebel. Entre outras peças, encontramos também estatuaria romana e aras votivas (pedras erigidas em memória de alguém), túmulos da época medieval, o azulejo da Anunciação da Virgem, e o Esmalte de Limoges.

Continuação para visita dos jardins do Palácio de D.Manuel I, um dos edifícios mais belos de Évora. Este monumento fica no interior do Jardim Publico de Évora, na tranquilidade de um espaço verde com esplanadas e bancos de onde o pode contemplar.  A história do Palácio de D. Manuel é um pouco atribulada, como outras dos edifícios que fazem parte do património de Évora. Na altura com outra dimensão e com o nome de Paço Real de Évora, foi mandado construir por D. Afonso V, por volta de 1468. Ocupava parte do grande Convento de São Francisco e, com o tempo, foi inclusivamente ganhando-lhe espaços, contra a vontade dos frades. A partir do reinado de D. João II, o crescimento do edifício tomou outras proporções. Foi construído um palácio provisório em madeira para o casamento do infante D. Afonso, seu filho, com a Infanta Isabel de Castela, em 1490. No reinado de D. Manuel, nasceu um jardim e foram melhoradas as hortas e laranjal que já existiam. O mesmo monarca mandaria também construir a chamada Galeria das Damas, a única parte que resta de pé hoje em dia. A família real passou grandes temporadas no Palácio de D. Manuel. Aqui se realizaram Cortes, nasceram príncipes e princesas. O palácio também foi palco da representação de autos, incluindo seis peças do grande dramaturgo português Gil Vicente. Também D. João III contribuiu para o crescimento deste palácio em Évora, especialmente ao nível dos espaços verdes do laranjal, dos antigos hortos do convento e dos jardins. Todo o Palácio detém características do estilo tardo- manuelino.

Regresso ao Hotel ao final da tarde para recuperar energias. Em hora a informar, saída a pé para Jantar em Restaurante na cidade. Alojamento.

3º Dia - Évora / Viana do Alentejo / Beja / Lisboa

Pequeno almoço e ‘check-out’.

Partida em direção de Viana do Alentejo. No centro histórico encontramos o seu Castelo, com uma posição dominante sobre a vila. Considerado o monumento mais antigo do concelho, esta magnífica fortaleza, foi mandada construir por D. Dinis, no ano de 1313. Foi mais tarde reedificado por D. João II, mantendo ainda características do projeto inicial. Construído em alvenaria de pedra, possui uma planta pentagonal com cinco torres cilíndricas. É de estilo gótico mas com alguns ornamentos em estilo manuelino. É o caso da porta lateral, um dos símbolos do Castelo que ainda conserva ainda conserva os volumes originais do século XVIII e os motivos mudéjares e manuelinos. Foi considerado Monumento Nacional de Portugal em 1910. No interior do Castelo, encontramos a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia. A Igreja Matriz de Viana é uma construção manuelina com influências mudéjares. Tem planta retangular regular e apresenta uma ampla nave. Na fachada principal vê-se um bonito portal manuelino e um arco em volta perfeita. As pinturas murais do século XVIII embelezam o interior, estruturado em três naves de cinco tramos. A norte da muralha do Castelo, a Igreja da Misericórdia de Viana (século XVII), uma construção religiosa da Confraria da Misericórdia da vila. O seu portal manuelino é espetacular, bem como a abóbada da capela-mor e os padrões de frescos e azulejos multicolores do século XVII, que guarnecem a nave.

Continuação para Beja, terra de conquistas e amores escondidos !  Começamos por visitar a Torre de Menagem do Castelo, tão importante nas lutas para defende as fronteiras de Portugal. Com 40 metros de altura e toda construída em mármore é o ex-libris de Beja. Do seu topo apreciamos toda a cidade e paisagem Alentejana em redor.

Muito próximo fica a Igreja de Santiago, a Sé Catedral de Beja, edifício do século XVI que mantém a sua estrutura de igreja-salão. A igreja destaca-se pelas grandes dimensões, pela criação de um espaço unitário e pela influência de soluções formais tomadas da tratadística que remetem para uma das elaboradas criações da Arquitetura Chã no Sul do país. No interior merecem destaque alguns altares protobarrocos e um conjunto de telas de André Reinoso. De salientar ainda os retábulos de talha dourada e policromada, os painéis de azulejaria e imaginária. Foi reconstruída em 1590, no local da primitiva igreja de Santiago Maior.  Almoço em restaurante.

Continuação da visita de Beja com particular relevo para a Praça da Republica, o coração da cidade, onde os edifícios da fundação manuelina dão uma nota particular à praça e encontramos um pelourinho do século XVI e a Igreja da Misericórdia, uma obra renascentista de referência e edifício único no panorama da arquitetura portuguesa seguindo a tipologia das ‘loggia’  italianas.  Ainda durante a tarde visita do Museu Regional D. Leonor instalado no Convento da Conceição, onde encontramos a coleção principal a secção de arqueologia Romana, compreendendo peças encontradas na região reveladoras da ocupação do território durante o império de Júlio César e no 2º piso, espólio doado à cidade pelo Arqueólogo Fernando Nunes Ribeiro com peças desde a idade do bronze atá à atualidade. Findo as visitas, regresso a Lisboa.

Fim da Viagem