Azulejo, o Brilho de Portugal

  • Destino: ,
  • Duração: 3 dias
  • De: 04/11/2022
  • a: 06/11/2022
  • Preço: 775€

tryart

com Rosário Salema de Carvalho

O azulejo é uma das artes que mais caracteriza o património cultural português. Está presente no quotidiano de todos há mais de cinco séculos… Mas será que realmente o vemos?
A partir da coleção do Museu Nacional do Azulejo, esta viagem, guiada pela especialista Rosário Salema de Carvalho, convida-nos a (re)descobrir a azulejaria portuguesa aplicada na arquitetura, no contexto para o qual foi concebida, em diálogo com outras manifestações artísticas.
Privilegiam-se edifícios e espaços de acesso limitado ou conjuntos que habitualmente são vistos de forma isolada, numa janela cronológica ampla, procurando compreender as transformações constantes que caracterizam a arte do azulejo em Portugal, sabendo que esta pertence ao universo mais vasto da própria cerâmica, enquanto expressão artística e tecnológica basilar da história da civilização.

Rosário Salema de Carvalho
É investigadora do ARTIS – Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Coordena o grupo Az – Rede de Investigação em Azulejo e é responsável pelos projetos relacionados com estudos de azulejaria, inventário e catalogação, entre os quais merece especial referência o projeto âncora do grupo, o Az Infinitum – Sistema de Referência e Indexação de Azulejo, resultante de uma parceria com o Museu Nacional do Azulejo e a empresa Sistemas do Futuro.
É doutorada em História/História da Arte (2012) e mestre em Arte, Património e Restauro (2007), pela mesma universidade, com ambos os trabalhos dedicados à azulejaria do século XVIII. Tem desenvolvido investigação na área do património e, principalmente, na área da azulejaria portuguesa, com vários livros e artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Atualmente, os seus interesses de investigação incidem sobre as molduras do período barroco​ e os sistemas decorativos associados, a catalogação de padrões e as ferramentas de inventário e catalogação no âmbito da História da Arte Digital.

Preço por Pessoa Quarto Duplo

775 €

Suplemento Quarto Individual

435 €


Programa inclui:

  • Acompanhamento Tryvel durante toda a viagem por e pela Doutora Rosário Salema de Carvalho;
  • Circuito em autocarro de turismo;
  • 01 noite no Hotel Convento do Espinheiro 5*****
  • 01 noite no Hotel Convento de S. Paulo na Serra D’Ossa 5*****
  • Todas as entradas e visitas conforme programa;
  • Seguro de assistência em viagem;
  • Gratificação ao motorista;
  • Taxas hoteleiras, de serviço e Iva;
  • Bolsa de documentação;
  • Kit de viagem Covid-19;
  • Audio-guias.

 

Programa não inclui:

  • Tudo o que não esteja como incluído de forma expressa;
  • Bebidas às refeições:
  • Despesas de carácter particular designados como extras.

 

INFORMAÇÕES | RESERVAS

GC – Tlm. 938458843 | info@nulltryvel.pt

1º Dia - LISBOA / ÉVORA

O ponto de partida é o Museu Nacional do Azulejo, paragem obrigatória para quem visita Lisboa. Situado no antigo Convento da Madre de Deus, fundado pela rainha D. Leonor em 1509, este espaço conserva um importante conjunto azulejar in situ, e uma coleção ímpar, organizada cronologicamente e que permite acompanhar toda a história do azulejo produzido ou aplicado em Portugal, desde as primeiras manifestações, ainda no século XV, até à atualidade. Constituído a partir de incorporações diversas, como os conventos extintos em 1834, doações e aquisições, este acervo conserva a memória de múltiplos revestimentos que um dia já estiveram aplicados, convidando os visitantes a explorar o riquíssimo universo azulejar que se estende para lá das suas paredes e que, cada vez mais, se afirma como um incontestável Património da Humanidade.

No Museu Nacional do Azulejo seremos recebidos pelo seu atual diretor, o Doutor Alexandre Pais. Após esta primeira incursão pelo mundo do azulejo, o cenário do almoço não podia ser mais apropriado – o restaurante do museu, revestido com azulejos provenientes de uma cozinha de fumeiro da segunda metade do século XIX. A tarde será dedicada à azulejaria contemporânea e o percurso conduz-nos pelos espaços do que foi a Exposição Internacional de Lisboa ou, como ficou conhecida para a maioria dos portugueses, a Expo’98.

Sob o tema Os Oceanos – um património para o futuro, a Expo’98 incluiu no seu programa de arte urbana um conjunto de obras com azulejo, que esteve também presente em dois dos principais pavilhões – o Pavilhão de Portugal e dos Oceanos (hoje Oceanário de Lisboa). Com a consolidação desta área da cidade, hoje Parque das Nações, o azulejo continuou a desempenhar um papel relevante nas novas propostas artísticas que entretanto foram surgindo.

Após este passeio ao ar livre, rumamos a Évora, terminando o dia no Convento do Espinheiro 5*

Chegada, check in e distribuição dos quartos.  Jantar e alojamento.

2º Dia - ÉVORA / ALDEIA DA SERRA

Pequeno almoço no Hotel.

A manhã começa no próprio Convento do Espinheiro, onde não faltam azulejos. Na igreja, a capela-mor, que foi Panteão dos Condes de Basto, apresenta a mais antiga obra assinada e datada de Gabriel del Barco, um dos mais influentes pintores do ciclo da azulejaria barroca. De origem espanhola, del Barco terá executado o conjunto cerâmico da capela-mor, dedicado à vida da Virgem, em 1689, no contexto de uma intervenção mais ampla, de remodelação do espaço, dirigida pelo arquiteto Mateus do Couto (sobrinho). Um outro pintor do Ciclo dos Mestres, Manuel dos Santos, assinou os azulejos da capela do Senhor Morto, cujo programa aponta para o Mistério da Ressurreição de Cristo. Na nave, o revestimento de molduras policromas com simulações arquitetónicas enquadrando as cenas da vida de São Jerónimo denuncia já uma linguagem neoclássica da década de 1770, tal como acontece na designada sacristia nova, esta com representações da vida da Virgem. Por fim, e já no exterior do edifício, recuamos ao ecletismo que marcou a cultura artística no tempo de D. Manuel I ao visitar a capela funerária de Garcia de Resende, cujo pavimento intercala exemplares de padrão mudéjar com outros monocromos.

Ainda de manhã, a visita continua no Convento de São Francisco, merecendo especial  destaque o conjunto a azul e branco, certamente aplicado em 1702 na sala do Consistório da Irmandade da Ordem Terceira, com um programa dedicado à vida eremítica, ou a própria Capela da Ordem Terceira, com azulejos representando figuras relevantes da Ordem, bem identificadas nas molduras.

Uma pausa para almoçar introduz-nos no Convento dos Lóios (atualmente Pousada Convento de Évora), pois a magnífica igreja espera-nos logo após a refeição. Com episódios retratando cenas da vida de São Lourenço Justiniano, estes azulejos foram executados em 1711 por António de Oliveira Bernardes, o mais importante e influente pintor lisboeta do período barroco.

A paragem seguinte é o Convento da Serra d’Ossa, situado na Aldeia da Serra, perto da vila do Redondo. Aqui, mergulhamos na azulejaria barroca a azul e branco para só emergir na manhã seguinte, ou não fosse este um hotel-museu do azulejo! Igreja, antiga portaria, escadarias, corredores… os revestimentos setecentistas envolvem-nos e acompanham-nos até durante o jantar, uma vez que a sala do restaurante corresponde à antiga capela do Bispo. Aqui, reencontramos a “mão” de António Oliveira Bernardes em magníficas composições alusivas ao Cântico dos Cânticos.

Check in e distribuição dos quartos. Jantar e alojamento.

3º Dia - ALDEIA DA SERRA / VILA VIÇOSA / LISBOA

Os revestimentos do Convento da Serra d’Ossa são tão avassaladores que deixamos uma parte da manhã para quem quiser explorar com mais detalhe alguns dos espaços. Mas o tempo urge e ainda nos falta visitar Vila Viçosa. Uma vez chegados, dirigimo-nos diretamente à Igreja do Convento das Chagas – falta ver exemplos representativos do “século dos padrões”, ou seja, do século XVII. Datados no arco do coro pelo ano de 1626, estes azulejos destacam-se por corresponderem à mais antiga aplicação conhecida, e seguramente datada, de um padrão de módulo 4×4, podendo ainda observar-se o maior padrão jamais produzido nas oficinas de Lisboa e que ficou conhecido como “padrão de Marvila”. São precisos 144 azulejos apenas para formar o módulo base!

O almoço é na Pousada contígua, e pelo caminho há sempre paragens em pontos estratégicos, como o altar do Calvário, no claustro, com um frontal de altar de aves e ramagens, ou a antiga portaria, com albarradas e cenas de caça.

De tarde dirigimo-nos à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com azulejos de padrão seiscentistas na nave. O revestimento da capela do Santíssimo Nome de Jesus é assinado por Policarpo de Oliveira Bernardes, que continuou a oficina do seu pai António de Oliveira Bernardes, e na capela-mor poderemos observar um conjunto já da década de 1780, com uma série pouco comum, representado vários momentos de um dos acontecimentos mais extraordinários da iconografia cristã, a Anunciação.

Para terminar e consolidar o “século dos padrões”, visitamos a Igreja da Misericórdia, que inclui ainda exemplares rococó na sacristia. Regresso a Lisboa pelo final da tarde.

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