Douro e Beira – Natureza e Património

tryart

Com Miguel Soromenho

Profundamente marcado pelo rio Douro, e seus afluentes – Côa, Sabor e Tua –, o território apresenta no património natural e cultural um recurso pleno de desenvolvimento. Os maiores “trunfos” do Douro Superior são o Alto Douro Vinhateiro e os Sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa, no Parque Arqueológico do Vale do Côa, ambos classificados como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. É uma região de muitas faces, muitos estilos e diferentes identidades. Poucas regiões no mundo detêm o privilégio de ostentar tanta diversidade, natural e humana. Poucas denominações conseguem contrapor vinhos modernos e profundamente tecnológicos face a vinhos tão visceralmente clássicos e rústicos no estilo, como o Douro consegue igualmente apresentar. Poucas regiões conseguem afirmar-se no mundo dos vinhos generosos com ícones internacionais como o Vinho do Porto ao mesmo tempo que continua a surpreender o mundo com a nova geração de vinhos do Douro.

A Beira, talvez por ser a maior província de Portugal, no século XVII, foi transformada num principado honorífico, cujo titular era, inicialmente, a filha mais velha do Monarca e, depois, o herdeiro do Príncipe herdeiro de Portugal (Príncipe da Beira). Verdadeiro paraíso terrestre, ora revestida de um manto branco, ora de um manto verde, a Beira Alta não podia deixar de ter a maçã como fruto predileto e que aqui é maçã “Bravo”, dando um colorido único à paisagem rural aquando da floração e um sabor único ao paladar, muitas vezes realçado por canela ou hortelã e vinho do Porto. A Beira Alta é assim uma terra rica de um povo em tradições onde a vida corre ao ritmo das estações, das festas e romarias criando História ao longo dos séculos. Uma História rica em acontecimentos, uma História feita de heróis, como Viriato, o “regnator Hiberae magnanimus terrae”, isto é “o mais magnânimo dos reis da terra Ibérica” que, defendeu até à morte, só possível por traição, com a bravura de um rei e astúcia de um general, os limites da Lusitânia, travando uma luta desigual contra as invasões romanas cujos vestígios permanecem até aos dias de hoje. Pois, a História deste nobre povo encontra-se marcada no vasto património que ostenta, em verdadeiro museu aberto.

Mínimo 25 participantes

Preço por Pessoa em Quarto Duplo

€965

Suplemento Individual

€150

 

Programa inclui:

  • Acompanhamento Tryvel durante toda a viagem e pelo Historiador e Conferencista Miguel Soromenho;
  • Circuito em autocarro de turismo;
  • 04 noites no Hotel da Longroiva 4****, mencionado no programa;
  • Todas as entradas e visitas conforme programa (Museu Grão Vasco, Sé de Viseu, Sé de Lamego, Visita do Núcleo de Arte Rupestre da Canada do Inferno, Museu do Côa, Castelo de Penedono, Fortaleza de Almeida);
  • 9 Refeições (1 almoço no Restaurante Cortiço + 1 almoço na Quinta da Pacheca + 1 almoço a bordo do cruzeiro no Rio Douro + 1 almoço na Quinta de Ervamoira + 1 almoço na Casa da Insua + 1 jantar nas Casas do Coro + 3 jantares no Hotel da Longroiva); 
  • Bebidas às refeições nos almoços e jantares (água, vinho, café ou chá – limitadas);
  • Prova de presunto com espumante na Presunteca em Lamego;
  • Visitas da Quinta da Pacheca e da Quinta de Ervamoira com prova de vinhos;
  • 1 Cruzeiro no Rio Douro em Barco Rabelo com pequeno almoço, Porto de Honra e almoço a bordo;
  • Seguro de assistência em viagem;
  • Taxas hoteleiras, de serviço e IVA;
  • Kit de viagem Covid-19;
  • Audio-guias.

 

Programa não inclui:

  • Tudo o que não esteja como incluído de forma expressa;
  • Quaisquer Bebidas fora das refeições;
  • Despesas de carácter particular designados como extras.

 

INFORMAÇÕES | RESERVAS
Carla Sousa | Telf.: 215 927 076 | carla.sousa@nulltryvel.pt

1º Dia – Lisboa / Viseu / Longroiva

07h45 – Comparência em Sete Rios (junto da entrada principal do Jardim Zoológico).

08h00 – Partida de Lisboa com destino a Viseu. Paragem técnica durante o percurso.

Após a chegada, visita ao Museu Grão Vasco: em nada surpreende que o pintor Vasco Fernandes, celebrizado no decurso dos séculos com o epíteto Grão Vasco, seja a referência maior do museu de Viseu. Fundado a 16 de Março de 1916, justamente com a finalidade de preservar e valorizar “os valiosos quadros existentes na Sé (…) o tesouro do cabido da Sé, além de outros objetos de valor artístico ou histórico”.

Almoço no Restaurante Cortiço.

De tarde, visita do centro histórico de Viseu, com especial destaque para a Cava de Viriato e o núcleo histórico da Sé Catedral.

Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região. Depois da ocupação romana na península, seguiu-se a elevação da cidade a sede de diocese, já em domínio visigótico, no século VI. Já no século XIV, durante a crise de 1383-1385, Viseu foi atacada, saqueada, e incendiada pelas tropas de Castela e D. João I mandou erigir um cerco muralhado defensivo — do qual resta pouco mais que a Porta dos Cavaleiros e a Porta do Soar, para além de escassos troços de muralha. Visita à Cava de Viriato é uma construção misteriosa em terra batida (só há duas deste tipo na Europa), rodeada por um fosso.  Dos oito taludes restam e estão visitáveis seis. 

Continuação para visita da Sé Catedral que começou a ganhar forma no século XII, em pleno reinado de D. Afonso Henriques. Inicia-se então a construção de uma catedral no estilo românico.

No reinado de D. Dinis, tendo a cidade atingido um período áureo, procede-se a uma renovação profunda do edifício, ainda no século XIII, sob a alçada do bispo D. Egas. No entanto, a Crise de 1383-1385 foi nefasta para as obras, tendo estas estarrecido até depois da crise.

O gótico da Sé viseense seguiu as linhas originais, com um corpo de três naves e três tramos, aproximando-se assim de um estilo românico, mais do que gótico, tipicamente espaçoso.

No período manuelino, a Sé viria a absorver intervenções de grande qualidade estética, como as típicas abóbadas das naves. Esta campanha foi obra do bispo D. Diogo Ortiz de Vilhegas, O Calçadilha, e durou uma década apenas, sob a alçada do arquiteto João de Castilho. O barroco trouxe a este edifício ricas obras de talha, azulejo e pintura.

Continuação para Longroiva. Chegada ao Longroiva Hotel & Termal Spa 4****. Check in e distribuição dos quartos.

Jantar e alojamento no Hotel. Alojamento.

2º Dia – Longroiva / Lamego / Quinta da Pacheca / Sernancelhe / Longroiva

Pequeno almoço no Hotel e partida com destino a Lamego, cidade que guarda monumentos que são autênticas referências nacionais. Visita do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e da Sé Catedral.

Após a visita, prova de presunto de Lamego, na Presunteca. 

Almoço na Quinta da Pacheca, uma das mais prestigiadas e reconhecidas propriedades do Douro Região Demarcada. 

A história da vinha nesta propriedade remonta ao século XVI, altura em que era uma coleção de vinhas pertencentes aos Mosteiros de Salzedas e de S. João de Tarouca, conforme referido num documento de 1551. A propriedade é mencionada pela pela primeira vez num documento datado de abril de 1738 onde é referido como “Pacheca”, uma forma feminina do sobrenome Pacheco por ser propriedade de uma senhora, Da. Mariana Pacheco Pereira, uma mulher imponente que cuidava sozinha do imóvel. Com cerca de 75 hectares de vinhas próprias plantadas no Património Mundial da Humanidade, classificado pela UNESCO em 2001, a Quinta da Pacheca sempre esteve focada 

na produção de vinhos DOC do Douro e do Porto de qualidade e foi uma das primeiras na região a engarrafar Vinhos DOC sob marca própria.

De tarde, rumaremos para Sernancelhe, terra natal de Aquilino Ribeiro, um dos maiores escritores portugueses do século XX, cujos romances retratam, muitas vezes, as idiossincrasias das “Terras do Demo”, dando conta do peso que a geografia da região de que era natural tinha sobre as pessoas que aí viviam.

A Ordem de Malta ou dos Cavaleiros do Hospital de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, como outrora se denominou, teve diversos bens e comendas neste concelho. Razão pela qual o brasão autárquico ostenta a cruz da Ordem de Malta em chefe. De notório tem entre outros, a Igreja Matriz do séc. XII, o Pelourinho e a Casa da Comenda, antiga casa da comenda da Ordem de Malta que funciona hoje como estabelecimento de turismo rural.

Regresso ao hotel na Longroiva. Jantar e alojamento.

3º Dia – Longroiva / Cruzeiro no Douro do Pocinho à Régua / Longroiva

Após o pequeno almoço, transporte até ao Pocinho onde pelas 09h00 embarcaremos num passeio em barco Rabelo para fazer no Rio Douro.

         – Inicio do cruzeiro com destino á Régua

         – Saída da Barragem do Pocinho

         – Eclusagem (desnivel de 20m)

         Pequeno almoço a bordo

         – Descida da Barragem da Valeira

         – Eclusagem (desnivel de 32m)

         – Passagem pelo Pinhão

         – Serviço de Porto Aperitivo

         – Descida da Barragem de Bagaúste

         – Eclusagem (desnivel de 27m)

         – Serviço de almoço a bordo

         – 18h45 – Chegada à Régua – acostagem ao cais do Peso da Régua.

Daqui regressaremos ao Pocinho de comboio e daqui de autocarro e para o hotel para jantar. Alojamento.

4º Dia – Longroiva / Foz Côa / Penedono / Meda / Longroiva

Após o pequeno almoço, saída do Hotel com destino ao “Parque Arqueológico do Vale do Côa”, classificado pela Unesco como Património da Humanidade. Uma imensa galeria ao ar livre, o Vale do Côa apresenta mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 25.000 anos.  Visita de um dos núcleos de arte rupestre : A Canada do Inferno que se situa na margem esquerda do Côa. Parte-se numa viatura todo-o-terreno, com um guia, por uma estrada alcatroada, num percurso com cerca de 7 kms, até junto das obras da abandonada barragem do Baixo Côa. A partir daqui prossegue-se mais 3 kms por calçada à portuguesa, através destas mesmas obras que fazem parte da história da descoberta da arte do Côa. O percurso final a pé é de cerca de 400 metros até ao local de implantação das primeiras gravuras visitadas, por trilho estreito mas arranjado.

Segue-se a visita do Museu, através de originais de arte móvelréplicas de painéis de arte rupestre e informação interativa que utiliza as modernas tecnologias digitais

Após as visitas continuação para a Quinta da Ervamoira situada na zona do Douro Superior, no Vale do Côa, entre as vilas de Muxagata e Chãs, que a Ramos Pinto dá continuidade à sua associação com as artes e ao encontro com as culturas. Nesta Quinta foi inaugurado em 1997 o Museu de Sítio de Ervamoira. Esta é também uma quinta modelo pois foi a primeira e é a única totalmente plantada na vertical. Adquirida em 1974 por José António Rosas, então administrador da Casa Ramos Pinto, tornou-se numa quinta modelo na região do Douro. Hoje, é paragem essencial no mapa enoturístico da empresa fundada por Adriano Ramos Pinto.

A Ervamoira escapou ao “afogamento” quando se parou a construção da barragem do Côa. A classificação das gravuras rupestres do Vale do Côa como Património da Humanidade converteu-a na primeira quinta vinhateira a usufruir desse título, por se inserir no perímetro classificado.

Visita da Quinta, prova de vinhos e almoço. Após o qual, rumamos a Penedono onde se ergue a mais de 900 metros de altitude, o medievo Castelo de Penedono pentagonal, classificado como Monumento Nacional e que data de cerca de 900.

A vila de Penedono foi berço de Álvaro Gonçalves Coutinho, o célebre Magriço, eternizado por Luís de Camões no poema épico “Os Lusíadas”.

Este é um concelho que vive essencialmente da castanha, a sua maior colheita anual, exportada para os Estados Unidos da América, entre outros mercados.

Antes de regressar ao hotel, passagem ainda por Meda que se caracteriza por se localizar numa zona de transição entre as regiões naturais do Alto Douro e do Planalto Beirão.

Dos povos da época castreja que viveram nas imediações desta vila salientam-se os Aravos, na zona de Marialva, os Longobritas, em Longroiva, e os Meidubrigenses, na Mêda.

Chegada ao Hotel. 

À noite, saída do hotel para a bonita aldeia histórica de Marialva para uma caminhada noturna onde irá reencontrar a beleza e o silencio que julgava já não existir.

Nas Casas do Coro teremos um jantar de degustação para encerramento da viagem.

Após o jantar, regresso ao Hotel e alojamento.

5º Dia – Longroiva / Almeida / Trancoso / Lisboa

Após o pequeno almoço, check out e saída para a vila de Almeida que é conhecida pela sua fortaleza, que, com a sua forma de estrela de doze pontas, constitui um dos mais espetaculares exemplares europeus dos sistemas defensivos abaluartados do século XVII. A Praça-Forte de Almeida é candidata à categoria de Património Mundial da UNESCO.

Continuamos a nossa viagem rumo a Trancoso. Trancoso é um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos, estando uma das suas freguesias (Guilheiro) separada do resto do município por uma estreita faixa de território pertencente à freguesia de Arnas, do município de Sernancelhe; uma vez que este último município pertence ao distrito de Viseu, isto torna territorialmente descontínuo o distrito da Guarda (existência de um exclave), criando um enclave no interior do distrito de Viseu, casos únicos em Portugal.

A origem do nome “Trancoso” motiva hoje em dia a especulação e a imaginação. Existem pelo menos duas explicações, ambas de pendor mitológico. Tais explicações, contudo, poderão não ser tão fantasiosas como à partida seríamos levados a pensar. Uma destas explicações refere que o nome deriva de “troncoso”, ou seja, o nome ficaria a dever-se ao facto de existirem árvores de grande porte na região em que a cidade foi fundada.

Outra explicação, que específica concretamente um ato de fundação, um pouco à semelhança de Roma refere que a cidade terá sido fundada por um emissário vindo do Egito ou da Etiópia. O nome do emissário seria Awseya Tarakos, que mais tarde viria a ser rei da Etiópia, da dinastia salomónica. 

Dos seus monumentos destacam-se a Igreja da Misericórdia, a Casa dos Arcos, do século XVI, a Casa do Gato Preto (um curioso edifício do antigo bairro judaico), e o Pelourinho, bela peça do mais puro estilo manuelino.

Nesta cidade nasceu também Gonçalo Annes Bandarra ou ainda, Gonçalo Anes, o Bandarra (Trancoso, 1500 — Trancoso, 1556) que foi um sapateiro e profeta português, autor de Trovas messiânicas que ficaram posteriormente ligadas ao sebastianismo e ao milenarismo português.

Mandado erigir em 1641, o seu túmulo encontra-se na Igreja de São Pedro de Trancoso.

As Trovas do Bandarra influenciaram o pensamento sebastianista e messiânico de D. João de Castro, Padre António Vieira, de Fernando Pessoa, entre outros.

Continuação para Penalva do Castelo e almoço na Casa da Insua.

Após o almoço, regresso a Lisboa onde após uma paragem técnica, chegaremos ao final do dia.

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